Novas narrativas pelo Oceano

Recentemente, ao começar a leitura do livro "Design de Culturas Regenerativas" do autor Daniel Wahl, passei a perceber como precisamos melhorar e repensar as nossas narrativas quanto ao oceano.


Ao longo dos anos, conforme a humanidade passou a conhecer melhor este ambiente azul que compõem 70% da Terra, passamos também a nos referir a este ambiente com expressões um pouco questionáveis.

Expressões estas, que podem refletir passados colonialistas, uma visão de mundo linear e uma visão insustentável quanto a saúde do planeta. Confira neste post, algumas narrativas pelo oceano que podemos repensar neste momento de mudança e também no século XXI:



#1 “Explorar o oceano”


A forma como olhamos para o oceano, reflete na sua perda de biodiversidade. Quando nos referimos ao oceano como local a ser “explorado”, repetimos a mesma narrativa que em terra, levou a desflorestação.


Além disto, ao falar de exploração do oceano, também cultivamos este olhar linear, que molda nossas ações e continua a enxergar na natureza, fonte de “recursos”.

#2 “Recursos”

O planeta Terra tem 4.5 bilhões de anos. A natureza reina neste planeta, a muito mais tempo do que nos, humanos.


Somos uma espécie recente, de cerca de 350 mil anos. Um tanto quanto jovens.


Criamos este olhar de que a natureza tem recursos, que podem ser manipulados para criar todos os produtos que usamos. Mas nos esquecemos que recursos são estes, e de que na verdade, recurso é vida.


É preciso repensar todo o desequilíbrio que trazemos para o sistema planetário em nome do consumo. Afinal, falamos aqui da continuidade da vida na Terra também.

#3 Serviços ecossistêmicos

Nos humanos, pos revolução industrial, queremos colocar utilidade em tudo. Até nas funções dos ecosistemas, que comumente chamamos de "serviços ecosistemicos". Como assim serviços? A Terra, planeta Gaia, esta aqui para nos servir?


Agua pura, ar limpo e ecosistemas saudáveis, não deveriam ser chamados de serviços, mas im reconhecidos como os mantenedores da nossa sobrevivência.

#4 Proteger o Planeta


Proteger o planeta neste sentido, também é uma narrativa ultrapassada. Na realidade, não podemos proteger o planeta. O planeta é um sistema vivo, que existe muito antes da nossa existência, que abriga vida a quase 3.5 bilhões de anos.


Existem bacterias no oceano que vivem em ambientes completamente inóspitos: o que mostra que a vida na Terra, permanece mesmo que nos humanos criemos condições extremas para a nossa sobrevivência. Ou seja: não protegemos o planeta, isso é uma falácia. O que podemos fazer é criar instrumentos e modos de vida, alinhados com as regras da natureza, que constroem este planeta, há muito mais tempo.



#5 A figura masculina


Tabém temos que repensar a narrativa do homem no centro de tudo. Feche os olhos e imagine o "homem" o qual referimos nas aulas de história. Que homem é esse? Que figura é esta? É um homem negro? É uma mulher? É um homem indígena? É uma mulher negra? É uma criança? É um senhor? Alguém da comunidade LGBTQI+? Uma senhora?


Quem é esta figura de homem que a todo momento, nos referimos na nossa língua? Qual espaço, que aparência esta pessoa, que referimos como homem, tem? Homem e natureza. Os homens na história do mar. Os homens que "descobriram" as índias. Os homens que...


Na minha visão, ainda é aquela visão do homem, branco, provavelmente de origem Européia, hétero, que vê na natureza, fonte de recursos inesgotáveis para uma economia linear. Quando me refiro ao "homem" mencionado nos livros, não consigo enxergar nesta figura, uma mãe solteira por exemplo.


Precisamos criar figuras mais representativas ao falar do oceano e buscar novos exemplos que quebrem o padrão de uma única visão de mundo.

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Deixo esta reflexão, para que pensamos em que narrativas usamos ao falar do planeta.


É mesmo esta narrativa que queremos para o oceano?


Para o futuro da vida na Terra?


Ou queremos uma narrativa inclusiva, adaptada ao século XXI e todas as conquistas sociais, científicas e culturais que ele nos trouxe? Todos os avanços que tivemos para quebrar com aquela mesma sociedade patriarcal, no passado: ainda se refletem na nossa linguagem quando falamos sobre meio ambiente.

E ainda nas nossas narrativas pelo oceano.


Se para você, esta narrativa pelo oceano, também precisa ser questionada, seja bem vind@ a esta comunidade de jovens líderes pelo planeta. Aqui abrimos espaço para o dialogo e para uma nova visão 🐋



Texto escrito por

Ana Vitória Tereza



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#novasnarrativas #narrativasregenerativas #oceano

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